Cidade alagada mantém torres de igreja no meio das águas
Matéria via DC / Atualizado dia 12-02-2018

o Oeste de Santa Catarina, uma cidade esconde muitos mistérios embaixo d’água. Em meados de 2000, Itá, que tinha dois mil habitantes, foi alagada por mais de 49 mil metros cúbicos de água, a fim de que se formasse um lago que iria alimentar a usina hidrelétrica da região.

"Quando nós recebemos a notícia da inundação, ela não foi bem recebida no começo, porque Itá era uma cidade pequena, com aproximadamente 200 casas, mas era uma cidade aconchegante”, disse o aposentado Jaime Donato.

“Ela foi executada neste local devido à geografia da região e a curva era o local favorável. Caso fosse feita abaixo de um afluente que existe, ia inundar parte do município de Seara, e alagaria muita área”, disse Alceu Roberto Trevisol, condutor de embarcação.

Os escombros da Itá velha foram retirados antes da água tomar conta de 103 quilômetros quadrados de terra. E os moradores se mudaram pra Itá nova, a cinco quilômetros dali. Quase tudo ficou debaixo d’água, com exceção de duas torres da antiga igreja matriz de São Pedro.

Os 15 metros das torres estão no meio das águas, enquanto os 10 metros da igreja estão submersos. Mas, por que isso aconteceu? “Nós temos o foco histórico baseados nos fatos, e temos a história baseada nos contos”, disse Altir Goedert, secretário de Turismo e Desenvolvimento Econômico do município.

O aposentado José Cardoso da Silva conhece bem essa história. Ele estava lá e viu quando tentaram derrubar a igreja. “Foi demolida a parte de trás da igreja, com um trator. E colocaram um cabo de aço na torre em cima e o cabo de aço estourou. Dali a uns quatro ou cinco dias, tentaram novamente demolir as torres da igreja e o trator estragou”, disse.

Há quem explique essa história de um jeito diferente.

“Eu não tenho dúvida daquilo que eu vou falar. Aqui nós recebemos uma mensagem divina para que essas torres ficassem de pé. Porque a partir do momento que sucedeu, que os cabos de aço quebraram e que a máquina estragou, formou uma corrente religiosa, psicológica, positiva, a ponto de que todos se uniram para que essas torres ficassem de pé ”, disse Donato.

Nessa versão, um padre teria rogado uma praga na cidade. E a hidrelétrica foi o jeito de fazer essa praga pegar. “Não é um mito, é realidade. Havia um padre aqui e ele não era muito bem aceito pela comunidade. E um belo dia ele foi embora. Nesse local aqui mesmo, ele olhou pra trás, viu a cidade e disse: um dia essa cidade haverá de ser inundada. E isso aconteceu", contou Donato.

Maldição ou não, as torres resistiram e viraram a atração turística imersa nas águas que também escondem uma cidade de histórias. “É histórico, dá vontade de conhecer. Desperta a curiosidade do que tinha embaixo dessas duas torres”, disse o turista Sandro Augusto Bonfanti.

“A gente sente muita saudade ainda desse lugar que nós deixamos aqui. E quando nós visualizamos o lago, a gente parece que ainda está localizando a nossa casa, e a gente traz presente um passado que nos dá muitas saudades”, disse Donat



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Doações múltiplas de órgãos: Tubarão ocupa sexto lugar no Estado

O Hospital Nossa Senhora da Conceição, de Tubarão, está em sexto lugar no Estado como o hospital que mais realizou doações múltiplas de órgãos. Está atrás apenas de Joinville, Blumenau, Jaraguá do Sul, Itajaí e Florianópolis. Foram 17 doações múltiplas no ano passado realizadas no HNSC.

Santa Catarina continua liderando o ranking no número de doações de órgãos para transplantes no país. O Estado consolidou um sistema de transplantes que é referência também internacional. Segundo levantamento da SC Transplantes, em outubro de 2017, Santa Catarina atingiu a marca de 39 doadores efetivos de órgãos por milhão de população, enquanto a média nacional foi de 16,5 doadores por milhão de população.

Até setembro de 2017, a SC Transplantes registrou 197 doações efetivas de órgão, 438 doações efetivas de tecido ocular e 938 transplantes de órgãos e tecidos em Santa Catarina.

De acordo com o médico coordenador da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante do HNSC, Vilto Michels Júnior, a posição que o hospital ocupa no Estado mostra o empenho e o bom trabalho realizado na instituição. “A doação de órgãos passa por uma série de trâmites, que vai desde o momento da identificação do paciente em estado grave com chance de morte encefálica ao tratamento correto dado a ele quando se torna muito grave e com a morte encefálica comprovada, para que os órgãos sejam mantidos”, explica.

Além disso, Vilto explica que tem toda a parte de entrevista com os familiares, que é uma das fases mais importantes no que se refere à aceitação para a doação dos órgãos. “Para tudo isso,  temos uma equipe amplamente treinada pela Central de Transplantes de Florianópolis, o que acarreta no sucesso do trabalho”, pontua.

O médico, que também coordena o CTI (Centro de Tratamento Intensivo), diz que a parte que cabe ao HNSC é o de identificar e tratar o paciente e entrevistar a família. Tão logo o diagnóstico fique completo, a Central de Transplantes faz a captação dos órgãos. “Fígado, rins e córneas são os mais comuns. Coração e pulmão são mais raros”, comenta.


Treinamento especializado

Os investimentos em logística e em treinamentos das equipes dos hospitais, responsáveis pela identificação de potenciais doadores e pela abordagem junto às famílias, são os fatores determinantes para os resultados alcançados. Este ano, foram capacitados cerca de 800 profissionais de hospitais públicos e particulares.

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